Intoxicação em piscina de academia: faxina em casa também tem riscos

A morte de uma professora após aula de natação em uma academia acendeu o alerta para misturas de produtos de limpeza, inclusive em casa

A mistura letal feita com cloro pelo manobrista de uma academia da zona leste de São Paulo, que causou a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, no último sábado (7/2), além de outros seis atendimentos médicos, é mais arriscada e mais frequente do que se imagina. Até mesmo faxinas caseiras, com a junção de diferentes produtos, podem apresentar severos riscos à saúde.

“Um erro de concentração ou uma mistura acidental é apenas uma questão de tempo em locais onde protocolos de segurança não são seguidos”, alertou a médica especialista em medicina legal e perícia médica, Caroline Daitx.

A especialista lembrou o caso de um homem, de 31 anos, que morreu em julho do ano passado, no interior de Minas Gerais, após misturar água sanitária com outro produto para limpar o banheiro. Ao respirar a mistura, em ambiente fechado, ele foi vítima de intoxicação.

Ela destacou ainda o caso de Samuel Rodrigues Squarisi, de 38 anos, que, assim como Juliana, morreu após sofrer intoxicação por cloro em uma aula de natação. O episódio aconteceu em uma academia de Campinas, no interior de São Paulo, em 2018.

Daitx destaca ainda que os produtos de limpeza formais, sejam de uso doméstico ou de uso profissional, devem ser utilizados apenas na forma como o seu rótulo determina, respeitando a diluição, se for o caso, a necessidade de se manter o ambiente ventilado e os equipamentos de proteção individual. “Qualquer mistura de produto de limpeza fora do que consta no rótulo é potencialmente perigosa”, ressaltou.

Sintomas de alerta

Segundo Daitx, os sintomas de alerta aparecem em minutos e representam uma emergência, portanto, não devem ser ignorados. Os sinais incluem ardor nos olhos, queimação na garganta, tosse persistente, dificuldade para respirar e tontura.

“Qualquer um desses sintomas é emergência. Ligue 192 ou 193 imediatamente. Não espere para ver se passa”, alertou Daitx.

Conforme a especialista, o edema pulmonar (acúmulo de líquido nos pulmões) resultante da intoxicação pode se desenvolver em até 48 horas após a exposição aos produtos químicos. “Então mesmo que a pessoa se sinta bem no início, pode piorar drasticamente horas depois”, explicou.

Sem atendimento rápido, a pessoa pode sofrer edema pulmonar progressivo, broncoespasmo severo (bloqueio das vias aéreas), insuficiência respiratória aguda, parada cardíaca e morte.

“Em exposições severas a cloro, sem tratamento médico, a taxa de mortalidade é muito alta. O oxigênio suplementar e medicações são críticos para salvar vidas”, acrescentou a especialista.

Mulher morre e outros cinco precisam de atendimento médico

  • A professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, treinava no local acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, quando alunos sentiram desconforto.
  • O casal comunicou o professor responsável e, depois da aula, foi por conta própria ao hospital Santa Helena, de Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. No hospital, Juliana não resistiu.
  • O marido dela foi internado em estado grave.
  • Ainda há o registro de outras duas internações em estado grave de pessoas que estavam na piscina da academia no sábado.
  • Uma das vítimas, um menor de idade, foi enviado pelo pai ao Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo, com dificuldade de respirar.
  • A outra, uma mulher de 29 anos, precisou ser internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital São Luiz do Tatuapé, também na zona leste, após apresentar sintomas graves, como dores de cabeça, vômito e diarreia.
  • Um aluno está internado em um leito comum e a última pessoa que apresentou sintomas não teve o estado de saúde detalhado.

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⚠️ Nunca misture produtos de limpeza. Leia sempre o rótulo.

Quer limpar melhor? Use um produto por vez, em ambiente ventilado, e nunca coloque sua saúde em risco.

Fonte: Metropoles, São Paulo | https://www.metropoles.com/sao-paulo/intoxicacao-academia-faxina

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Sobre a SSCDT

Nosso grupo de pesquisa está situado em Farmanguinhos e atualmente é o maior laboratório farmacêutico oficial vinculado ao Ministério da Saúde. Farmanguinhos produz mais de um bilhão de medicamentos por ano para os programas estratégicos do Governo Federal, além de atender demandas emergenciais no Brasil e no exterior.

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